Mari Lessa — Deputada Estadual
PROJETO

Um plano de mandato para PERNAMBUCO

Plano de Mandato

Deputada Estadual do estado de Pernambuco – 2027-2031

Este não é um catálogo de intenções: é um mapa de onde uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco pode deslocar a máquina do Estado a favor de quem sempre ficou de fora dela. Toda proposta reunida aqui vem acompanhada do instrumento que vai executá-la: projeto de lei, emenda à Constituição do Estado, emenda ao orçamento ou fiscalização dentro da própria Casa. Nosso compromisso é transformar direito em lei, lei em orçamento, e orçamento em poder popular organizado dentro do Estado.

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Da escola básica à Universidade de Pernambuco, defendemos educação pública como projeto de emancipação, não como treinamento rápido para o mercado. Isso passa por valorizar quem ensina, hoje refém do contrato temporário eterno, por garantir escola laica e livre de perseguição ideológica, e por tratar a permanência estudantil na UPE como direito, não como sorte.

  • Concurso público anual com dotação orçamentária carimbada, para acabar com o contrato temporário eterno na rede estadual.
  • Política Estadual de Liberdade de Cátedra e Escola Laica, protegendo o professor contra assédio e perseguição ideológica, com revisão da lei do "intervalo bíblico" nas escolas estaduais.
  • Nenhuma escola vira Escola de Referência sem comprovar antes saneamento, acessibilidade, laboratório e espaço esportivo adequado.
  • Estatuto da Autonomia e Proteção da Organização Estudantil: vedação de interferência da direção ou da coordenação no processo eleitoral e nas assembleias do grêmio, com ampla defesa e recurso com efeito suspensivo automático contra suspensão motivada por protesto, panfletagem ou greve.
  • EJA presencial garantido por lei, sem substituição da carga horária por ensino a distância, com bolsa permanência financiada pelo FECEP.
  • Restaurante universitário gratuito para estudantes do CadÚnico em todos os campi da UPE, com jantar nos campi noturnos e prioridade para o interior.
  • Creche universitária, também no turno da noite, e auxílio de cuidado para estudantes com filhos pequenos, sem disputa por edital.
  • Uso do Fundo de Combate à Pobreza do Estado para custear o restaurante universitário, a Bolsa Permanência da EJA e a infraestrutura das escolas do campo, indígenas e quilombolas.
  • Piso orçamentário para a UPE garantido na Constituição do Estado, protegendo a universidade do corte anual.
  • Fundo próprio para a UPE, separado do caixa geral do Estado, com conselho gestor e prestação de contas anual à Assembleia.

Em Pernambuco, cada real que o SUS gasta comprando remédio e equipamento pode virar dependência de quem produz lá fora, ou emprego e soberania aqui dentro. Defendemos blindar o financiamento da saúde na Constituição do Estado, priorizar a atenção básica que evita fila e morte evitável, e transformar o LAFEPE em locomotiva da indústria farmacêutica pernambucana.

  • PEC do Piso da Saúde de 17%: transformar em regra constitucional estadual o patamar que Pernambuco já pratica, blindando o orçamento contra qualquer "ajuste fiscal" futuro.
  • Fim da farra das OSs: lei obrigando toda Organização Social que administra hospital estadual a publicar a folha de pagamento em tempo real, com teto de remuneração para diretores.
  • Piso e prioridade garantidos por lei para a Atenção Básica dentro do orçamento da saúde, com Lei da Transparência da Saúde Preventiva monitorando cada real investido.
  • Lei fixando prazo máximo para o SUS agendar consulta e exame de pré-natal de alto risco, com mutirões regionais custeados por emendas parlamentares.
  • O LAFEPE como locomotiva tecnológica: política industrial farmacêutica estadual para o laboratório público produzir insumos ativos e medicamentos biológicos.
  • Lei Estadual do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, ligando o LAFEPE, a UPE e os parques tecnológicos à demanda de compra do SUS estadual.

A crise ambiental que castiga Pernambuco não caiu do céu: nasceu de escolha política, e escolha política se desfaz com outra escolha política. Defendemos fiscalizar de verdade os contratos de saneamento do Estado, dar prioridade a quem vive nas margens dos rios e nas periferias, e usar a ciência pública das nossas universidades a serviço do território.

  • Requerimento pelo acesso integral ao Estudo de Viabilidade Técnico-Econômica da privatização da Compesa, cobrando transparência sobre a tarifa que o Estado vai pagar por 35 anos.
  • Fiscalização rigorosa dos contratos de saneamento e da parceria com a BRK, cobrando metas de universalização de água e esgoto nas periferias.
  • Emendas parlamentares para poços artesianos, cisternas, barragens subterrâneas e caixas d’água em comunidades rurais do Agreste e do Sertão.
  • Reativação do Fórum Pernambucano de Combate à Desertificação, criado em 2010 e hoje praticamente inativo, com expansão dos sistemas de alerta contra estiagem.
  • Programa Estadual de Cinturões Verdes Urbanos e Periurbanos, apoiando horta comunitária em regiões periféricas com insegurança alimentar.
  • Política Estadual de Transição Agroecológica, com assistência técnica, crédito e pesquisa para quem reduz o uso de insumo químico.
  • Aproveitamento energético do gás metano dos aterros sanitários e apoio técnico a cooperativas de catadores.
  • Tolerância zero com o desmatamento e proteção dos nossos rios: fortalecimento das políticas de preservação da biodiversidade, com tolerância zero para o desmatamento e destinação de emendas a projetos de preservação e restauração dos rios, dos manguezais e dos lençóis freáticos.
  • Plano de readaptação do litoral ao avanço do mar: plano estadual com medidas de curto, médio e longo prazo para readaptar a vida no litoral pernambucano, preservando empregos e comércios, com caráter antiprivatista e revisão da urbanização na beira-mar.
  • Dinheiro de verdade para a causa animal: aprovação e regulamentação da mudança na Lei nº 17.134/2020, do Fundo Estadual do Meio Ambiente, para permitir que parte dos recursos financie castração, campanha de adoção, vacinação e apoio a abrigos e ONGs de proteção animal, com dotação garantida por emenda impositiva, e não apenas por autorização genérica na lei.
  • Mutirão estadual permanente de castração gratuita, com prioridade para bairros e cidades do interior sem clínica veterinária pública, para atacar o abandono na raiz em vez de apenas recolher animais de rua.

Em Pernambuco, a cultura não é enfeite de gestão nem vitrine de campanha: é trabalho, identidade e economia popular. É o mestre de maracatu, a bordadeira, o brincante, o técnico de palco que monta a festa que o Estado depois fotografa. Nosso compromisso é com leis que mudem as regras do setor e garantam que o dinheiro chegue a quem faz a cultura acontecer.

  • Lei de Proteção Cultural (Lei Anti-Bet na Cultura): proibir patrocínio, publicidade e chancela de casas de apostas em eventos e equipamentos culturais com fomento público.
  • Estatuto de Valorização do Trabalhador da Cultura: reconhecer artista, mestre e técnico como trabalhador, com contratação prioritária de mão de obra local.
  • Lei da Oralidade: garantir o direito de inscrever projeto cultural pela oralidade, sem depender de plataforma digital.
  • Reforma do Funcultura: obrigar por lei que ao menos metade dos recursos vá para fora da Região Metropolitana, com reserva mínima de 30% para culturas indígenas, quilombolas e de matriz africana.
  • Meta progressiva de recursos livres para a cultura na LDO e no PPA, aproximando Pernambuco do patamar de 2% do orçamento estadual.
  • Reajuste anual da bolsa do Patrimônio Vivo, corrigido por estudo de defasagem apresentado junto com a LDO.
  • Tombamento coletivo de terreiros e ilês históricos do Estado, protegendo-os da especulação imobiliária e do racismo religioso.

Pernambuco tem talento esportivo de sobra: o que falta é justiça na distribuição do investimento público. Em 2025, quase metade das bolsas do Bolsa Atleta foi para um único município, e a Secretaria de Esportes usou apenas 45% do orçamento anual. Defendemos redistribuir esse dinheiro com justiça territorial e garantir que o esporte público alcance todo corpo, inclusive o corpo com deficiência.

  • Transferência direta de recurso às escolas para o esporte escolar, sem depender de convênio prévio com a prefeitura, com execução obrigatória.
  • Cota territorial no Bolsa Atleta, reservando vagas por mesorregião, hoje concentradas quase pela metade em Recife.
  • Piso mínimo de vagas do Bolsa Atleta reservado a paratletas e atletas-guia, com transporte adaptado gratuito.
  • Reserva obrigatória de 40% da renúncia fiscal da Lei de Incentivo ao Esporte para projetos populares e comunitários.
  • Proteção ao personal trainer autônomo: nenhuma academia poderá cobrar, pelo uso do espaço, valor superior à mensalidade básica.
  • A volta do Todos com a Nota, agora com cota social obrigatória: lei estadual instituindo o programa como direito permanente, e não mais como ação de governo que qualquer gestão liga e desliga por decreto. Um percentual fixo de ingressos fica reservado a beneficiários do CadÚnico e a estudantes da rede pública, distribuído por escola e associação comunitária, e não apenas por acúmulo de nota fiscal.

A defesa das mulheres, da população negra, dos povos originários e da comunidade LGBTQIAPN+ não pode parar no símbolo. A disputa real acontece na rubrica que sustenta um núcleo de estudos de gênero depois que o governo muda, na câmera que grava uma abordagem policial, no título de terra que chega a uma comunidade quilombola e no crédito que tira a costureira do atravessador.

  • Educação antimisoginia, antirracista e de combate estrutural à cultura redpill: conteúdo antirracista e de desconstrução da masculinidade violenta obrigatório em todas as disciplinas a partir do Ensino Fundamental II.
  • Selo Escola Plural e Antirracista, com acréscimo no repasse de custeio do Investe Escola.
  • Obrigatoriedade do nome social em diário de classe, prova e formatura, com busca ativa de estudantes evadidos por LGBTfobia estrutural.
  • Conversão dos Núcleos de Estudos de Gênero de decreto para lei estadual, tornando-os política permanente.
  • Câmeras corporais obrigatórias e ininterruptas em todo o efetivo da Polícia Militar e Civil.
  • Habilitação de hospitais regionais no Agreste e no Sertão para o processo transexualizador, hoje concentrado e com fila longa.
  • Reforma administrativa e orçamentária do Iterpe para acelerar a demarcação e a titulação de terras quilombolas e indígenas.

Pernambuco convive há décadas com uma das violências mais brutais do Brasil, e com governos que sabem administrar a estatística sem enfrentar a estrutura. Enquanto o crime patrimonial caiu, a violência contra a mulher subiu 25% no estado. Não propomos o fim da polícia: propomos disputar a instituição por dentro (sua formação, seu comando e suas prioridades) e proteger quem protege.

  • Atendimento psicológico gratuito, confidencial e desvinculado da hierarquia de comando para todo profissional de segurança do Estado.
  • Seguro de vida e assistência à família de policial e bombeiro vitimados dentro ou fora do horário de serviço, em razão da função.
  • Concurso público para agentes socioeducativos e reordenamento físico das unidades da FUNASE, para acabar com a superlotação.
  • Reforço orçamentário e independência ao Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura.
  • Criação de seis Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente no interior, e ampliação das delegacias da mulher nos municípios de maior incidência de violência.
  • Fiscalização e garantia de orçamento para o Plano Decenal de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (2025-2035).
  • Publicação periódica e obrigatória de dados sobre letalidade policial, com recorte de raça, sexo e idade das vítimas.

O desemprego caiu na estatística oficial, mas quem gerou vaga de verdade foram as micro e pequenas empresas, não quem recebeu o maior incentivo fiscal. Defendemos cobrar contrapartida de emprego de quem recebe benefício de ICMS, usar o poder de compra do Estado para fortalecer quem mais emprega, e levar investimento para fora da Região Metropolitana do Recife.

  • Cadastro público de benefícios fiscais de ICMS, com prazo de vigência determinado e contrapartida de emprego aferida por CAGED e RAIS.
  • Cota de até 35% das compras do Estado reservada a micro e pequenas empresas, com parcelamento por lote regional.
  • Programa Estadual de Enfrentamento ao Desalento: busca ativa de quem desistiu de procurar emprego, com bolsa-qualificação e auxílio-deslocamento.
  • Política Estadual de Amparo aos Trabalhadores de Plataforma: pontos de apoio, notificação de acidente de trabalho e canal de mediação com as plataformas.
  • Trava progressiva nos benefícios de ICMS do setor sucroenergético, reduzindo o crédito presumido conforme cresce a receita da usina.
  • Isenção de IPVA para veículo a partir de 15 anos de fabricação e redução de 30% na alíquota para quem usa o carro como instrumento de trabalho.

A catraca é a pior fronteira de Pernambuco: um punhado de famílias lucra com o direito de ir e vir do povo, cobrando tarifa cara por um sistema fragmentado, que muda de qualidade a cada cidade e trata o transporte alternativo do interior como caso de polícia. Nosso programa máximo é a reestatização completa do transporte público, operado para o povo e não para o lucro. Até lá, a Alepe abre a caixa-preta dos contratos, unifica o padrão do estado e pavimenta o caminho para a Tarifa Zero.

  • CPI do Consórcio Grande Recife: compromisso político de articular a coleta das 17 assinaturas necessárias, um terço dos 49 deputados da Alepe, para instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito do Transporte de Passageiros, com auditoria dos repasses de subsídio estadual e da renúncia fiscal de ICMS e investigação de possíveis descumprimentos contratuais, como a ausência do ar-condicionado prometido há anos.
  • Tarifa Zero: mais de cem cidades brasileiras já praticam algum modelo de tarifa zero e, em junho de 2026, o Congresso aprovou e o presidente sancionou a Lei federal nº 15.432/2026, o novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo, que autoriza estados e municípios a financiar o sistema. Apoio incondicional ao PL nº 3.616/2025, em tramitação na Alepe, na íntegra.
  • A retomada das ferrovias pernambucanas: um estado do tamanho de Pernambuco não pode depender só de pneu. O trabalhismo defende a malha ferroviária. Inclusão no Plano Plurianual estadual de metas para reativar trecho estratégico da antiga malha ferroviária pernambucana, com uso misto: escoamento da produção do Agreste e da agricultura familiar, trem regional de passageiros desafogando as rodovias BR-232 e BR-104, e rota de turismo cultural e histórico.
  • Fiscalização da estadualização e da concessão do Metrô do Recife: criação da Frente Parlamentar Suprapartidária pela reestruturação do metrô como empresa pública estatal, mantendo viva a defesa da reestatização mesmo que a concessão avance nesta etapa.
  • Malha cicloviária estadual: indicação ao Executivo cobrando prazo para regulamentar a Lei nº 18.925/2025 e para retomar o Plano Diretor Cicloviário Metropolitano de 2014, que previa 590 km de estrutura até 2024 e entregou quase nada.
  • Gatilho cicloviário: sempre que uma contagem de fluxo de 14 horas registrar mais de 500 viagens de bicicleta em um trecho de rodovia estadual, a infraestrutura cicloviária segregada passa a ser item obrigatório do projeto executivo de qualquer obra ou requalificação, e não mais opcional, com prioridade para os eixos das rodovias PE-005, PE-035, PE-007 e PE-038.
  • Programa Domingo é do Povo: fechamento semanal de trecho de rodovia estadual e via urbana estruturante, aos domingos pela manhã, para caminhada, ciclismo e atividade orientada gratuita com monitor público, em Recife e em ao menos uma cidade-polo de cada Região de Desenvolvimento. É a política de lazer de massa de menor custo por pessoa que existe: usa via já construída e gasta apenas com sinalização, monitoria e agente de trânsito.

Pernambuco carrega uma das concentrações de terra mais perversas do Brasil, erguida sobre o trabalho escravo, a servidão e a superexploração do cortador de cana, e passada de pai para filho como se fosse destino. O latifúndio monocultor não sobrevive só de mercado: mama em crédito público, isenção fiscal e numa Sefaz que finge não ver o valor real da terra na hora da herança. Este mandato assume a luta e a defesa intransigente, por vias normativas e pela luta popular camponesa, da reforma agrária.

  • Auditoria cruzada obrigatória: a Sefaz-PE passa a ser obrigada a usar como parâmetro de mercado os dados do SIGEF e do SNCR do INCRA, do Cadastro Ambiental Rural e das planilhas de preço da CONAB na avaliação de propriedade rural acima de 100 hectares, com mais de 70% da área ocupada por um único cultivo, temporário ou permanente. Constatada divergência superior a 30% entre o valor declarado e o índice oficial de mercado, a Sefaz-PE deve instaurar Processo Administrativo de Fiscalização para arbitrar o valor real, com ônus da prova do herdeiro e direito expresso a laudo técnico contraditório, no mesmo modelo que o Ceará já usa para o próprio imposto.
  • O fim da blindagem das holdings familiares: regulamentação estadual da Lei Complementar Federal nº 227/2026, que já fixa como piso nacional o patrimônio líquido ajustado a valor de mercado somado ao fundo de comércio para cota de empresa fechada, aplicando esse piso, com prioridade expressa, às holdings que controlem imóvel rural monocultor. A avaliação da terra dentro da holding segue o mesmo cruzamento de dados do INCRA, do CAR e da CONAB.
  • IPVA para jatinho, helicóptero e lancha de luxo, o fim da isenção do rico: inclusão de aeronave e embarcação de uso particular e recreativo na base do IPVA estadual, com alíquota de 3,75%, o mesmo patamar já testado e tecnicamente validado por Goiás, primeiro estado a regulamentar a matéria (Lei estadual nº 23.173/2024).

Em Pernambuco, a cidade protege quem tem patrimônio e empurra quem não tem para onde o Estado nunca chegou. A especulação tem três rostos aqui: imóvel vazio como ativo financeiro nos centros urbanos, esvaziamento populacional no Sertão e permanência de décadas em área de risco e em moradias ribeirinhas. Terra e teto pertencem a quem constrói este estado todo dia, e é por isso, e não por caridade, que este mandato entra nessa briga.

  • Trava do Leilão, o Prédio do Sonegador vira moradia: nenhum imóvel urbano ocioso ou tomado de sonegador poderá ser vendido à iniciativa privada antes que o Conselho de Habitação certifique se ele serve para abrigar a classe trabalhadora.
  • Moradia social por Concessão de Direito Real de Uso: as famílias não compram o imóvel, recebem a concessão. O Estado continua dono da terra e o povo ganha o direito seguro de morar. A taxa de manutenção é amarrada em lei, nunca superior a 10% da renda da família e totalmente isenta para quem ganha até um salário mínimo. Em caso de perda de emprego, a taxa zera automaticamente, sem risco de despejo. Quando o filho crescer, o direito continua para quem mora, impedindo que a moradia social vire mercadoria de aluguel privado.
  • Fundo de Habitação com dinheiro real e autogestão: criação de uma fonte de receita permanente e intocável para o FEHIS (Fundo Estadual de Habitação), com a transferência obrigatória de 10% dos recursos do Fundo de Combate à Pobreza (FECEP) para a habitação popular.
  • Assistência técnica, engenharia para o povo: implementar de verdade a Lei de Assistência Técnica (ATHIS), usando editais do FEHIS para financiar escritórios de universidades públicas e coletivos populares que entreguem projetos gratuitos de reforma e contenção.
  • Cheque-Reforma: subsídio direto em dinheiro para a família comprar material de construção exclusivamente em micro e pequenas empresas e depósitos do próprio bairro, unindo a melhoria da casa à injeção de dinheiro na economia local, que gera emprego de verdade.
  • O laudo contra o despejo e a Defesa Civil popular: lei que transforma o laudo da Defesa Civil em obrigação de reabilitação e garantia de moradia. Se o imóvel apresentar risco geológico real, o Estado é obrigado a alocar imediatamente a família no programa de Locação Social ou a entregar moradia definitiva antes de qualquer remoção.
  • O fim da "lona infinita": vedar o empenho sucessivo de despesas de custeio (instalação de lonas plásticas) para o mesmo polígono de risco por mais de dois ciclos orçamentários consecutivos, obrigando o Estado a prever despesa de capital (obra de contenção definitiva) para a área e rompendo o ciclo de abandono paliativo.
  • Índice de Vulnerabilidade: as obras de contenção e a assistência técnica deixam de seguir a fila do "toma lá, dá cá" dos políticos. A prioridade é calculada cruzando o CadÚnico com os mapas de risco, priorizando lares chefiados por mulheres, com crianças pequenas ou idosos, e aplicando o recorte de raça e pertencimento comunitário (quilombolas e indígenas) para enfrentar o racismo ambiental onde ele mais machuca.